sábado, 16 de outubro de 2010


Um sentimento que desperta tantas lembranças.
Vontade de poder voltar no tempo,
vontade de sentir seu cheiro novamente,
vontade de ouvir aqueles seus conselhos,
e saudade do tempo...
em que sua voz acalmava meu coração,
e sarava toda dor.

No seu lado eu aprendi a ser
quem eu queria ser.
e mesmo as vezes em inércia,
você sempre me dava um empurranzinho
e assim eu estaria livre para voar novamente.
Mas desta vez quem voou foi você.
E para bem longe...
levou pedacinhos de mim.

Será que eles não voltarão mais?
Será que eles virarão só lembranças?
Tudo isso me faz sentir o que eu sempre quis que você sentisse.

for:anonino do forms (:

Você me faz vomitar,por que?por que eu te amei com todas as minhas forças,eu confiei em você,por que?porque sou tonta.
Por que eu não sabia o que iria fazer no dia seguinte,e nem eu sabia que iria ficar assim.Mas de verdade,eu espero que você seja feliz com ela,antes eu achava que ela era uma guaria de sorte,e hoje eu acho que ela vai ser mais uma da sua lista,que ela vai ser uma mais que você vai enganar,mas quem sabe um dia ela se toque de quem você é de verdade,e veja que não vale a pena amar quem realmente não merece.
For:Ele.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Mais do que minha própria vida;




Dizem que quando você encontra a pessoa certa, você simplesmente sabe desde o momento em que o olha pela primeira vez.Foi exatamente assim comigo.Eu não sabia o por quê, mas eu sentia-me como se já o conhecesse há décadas.
Eu acabara de entrar para o ensino médio.Escola nova,tudo novo.Eu não conhecia ninguém e morria de vergonha de tomar a iniciativa de iniciar uma conversa ou de aceitar aqueles convites de passar o recreio junto com garotas que morriam de pena por eu ser novata e ficar sozinha todo o tempo.Era por isso, exatamente por isso que eu não gostava de mudar de colégio.Na verdade eu nunca gostara muito de mudanças.Eu adorava a rotina, adorava que tudo sempre fosse da forma como eu estava adaptada.Eu odiava ter de ser obrigada a me readaptar, e estava sentenciada a passar o resto de minha vida daquela forma.Mas é claro que naquela época eu não fazia idéia. 'Você sabe que nós não temos dinheiro para que você continue na sua antiga escola' , dizia meu avô, 'e anime-se querida.Você fará amigos novos e adorará tudo isso.'
Eu perdi os meus pais em um acidente de carro quando eu tinha dez anos.Eu sobrevivi por um triz,e não sentia orgulho nenhum disso.De certa forma eu sentia-me culpada por ter sido eu não eles a sobreviver.Meu avô era aposentado e viúvo e resolveu acabar de criar-me na melhor das intenções.Creio que foi aí que surgiu o meu tamanho desgosto por mudanças bruscas.Eu não tinha mais ninguém além dele,e de certa forma fora ele a ajudar-me a superar tudo.Mas a falta que eu sentia dos meus pais nunca passara em todos os anos que sucederam-se,apenas acomodara-se.Eu sofria por não tê-los, mas sabia que poderia seguir em frente ainda assim.
Meu avô aguentou o que pôde para manter-me na escola onde eu estudava antes da morte dos meus pais, gastando tudo o que podia de sua aposentadoria para tal.Ele pôde fazê-lo por cinco anos.Até que tivemos que mudar-nos devido ao aumento repentino do preço do aluguel do apartamento, e devido ao novo aluguel do novo apartamento e ao fato de que eu não poderia mais ir a pé á escola habitual, o que significava o gasto do dinheiro com ônibus,chegou-se a decisão que era hora de mudar-me de colégio.Já eram duas mudanças e eu não me sentia nada bem com isso.Porém por não ser uma escolha que eu tinha, o meu único direito era de aceitar calada.E assim foi.
Três meninas praticamente obrigaram-me a ficar com elas no recreio, provavelmente pensando que era uma enorme tortura para mim ficar sozinha.Eu até gostava...Eu podia pensar, podia observar.Mas estava mesmo passando da hora de conhecer gente nova.Então acabei aceitando ficar com elas.Apesar dos assuntos dos quais conversavam serem absolutamente banais, era de certa forma agradavel a compania.Elas eram engraçadas e pareciam estar realmente querendo aproximar-se de mim.Grace parecia ser aquela que tomava todas as decisões.Ela era muito bonita e extrovertida.O único problema era que falava mais do que o necessário.As outras duas, Leah e Rachel eram irmãs gêmeas,apesar de terem personalidades absolutamente diferentes.Todas eram amigas há anos,e haviam conhecido-se naquele colégio,naquele mesmo banco onde estávamos sentadas.
_Olha quem está ali! - gritou derrepente Grace tal qual estivesse vendo uma coisa incrível.Sucessivamente Leah e Rachel também sorriram e começaram a observar entre suspiros.
_Um dia você ainda será meu. - Leah disse baixinho.
_Vá sonhando! - riu Grace.Ele já é meu desde a sétima série.
_É.Só que você se esqueceu de avisá-lo. - riu Leah, enrrolando uma mecha de seu cabelo.Eu procurava entre todos aqueles rostos qual seria aquele a que elas referiam-se,mas não fazia idéia de quem poderia ser.Rachel sorriu ao perceber e apontou para aquele garoto encostado na parede a alguns metros de distância.
_Ele se chama Brandon. - ela disse - E todas as garotas daqui do colégio são apaixonadas por ele há anos.Mas ele não olha para nenhuma delas, como se simplesmente fosse bom demais para todas.
_Ele está no último ano.E dizem que ele namora uma garota mais velha.Da faculdade. - continuou Leah.
_Eu daria qualquer coisa para ser ela. - disse Grace.
_Qualquer garota aqui daria qualquer coisa para ser ela.Até a Jennifer.Não é,Jeni? - perguntou Leah para mim.
_Hm...Eu não sei.Eu não o conheço nem nada. - eu sussurrei sem graça.Brandon parecia ser mesmo aquele tipo de garoto dos sonhos de qualquer uma.Cabelos lisos, olhos claros,sorriso brilhante,músculos...Não me surpreendia o platônico amor que aquelas garotas tinham por ele.Mas para mim ele era comum.Comum demais.Parecia aquele tipo de pessoa que agrada apenas para olhar.Eu não me imaginava conversando durante horas com ele, e muito menos escolhendo-o para ser meu.Para partilhar os meus pensamentos e sentimentos.Eu não gostaria de estar com alguém que paqueraria dezenas de mulheres na minha frente.Não gostaria mesmo.Eu me perguntava se havia alguém,qualquer garota que já houvesse pensado por aquele ângulo.Estava certa que não.
Foi então que os meus olhos foram atraídos para outra pessoa.Outro garoto que não estava muito longe de Brandon.Era na verdade um dos amigos com quem ele conversava.Ele tinha a pele muito branca que fazia um contraste com os seus cabelos e olhos escuros.O seu olhar era hipnotizante...Enigmático.Tudo nele, tudo era atrativo para mim.A forma como ele cruzava os braços ou trocava seu peso entre as pernas.A forma que ele movia seus lábios ao falar e as suas várias formas de sorrir.A forma como ele andava sem sequer olhar para os lados.A forma como ele levantava a sobrancelha quando lhe diziam algo que desaprovava...Ele era tão sedutor que eu não conseguia entender como é que aquelas garotas do colégio preferiam Brandon a ele.Eles eram incomparáveis.
_Quem é aquele de blusa preta com quem Brandon está falando? - eu perguntei para as garotas.
_Que importa? - perguntou-me Grace - O único que importa aqui é o Brandon.Ele ofusca os amigos, então tanto faz quem é quem.
_Mas...Ele estuda á muito tempo aqui?
_Quem?O Brandon?
_Não.O outro garoto.
_Não faço idéia.Nunca o vi por aqui.Então... - respondeu-me Grace sem sequer tirar os olhos do garoto de seus sonhos.Qual era a graça em amar secretamente daquela forma?Em fantasiar com a mente seu cheiro,sabor,toque?Devia ser torturante desejá-lo durante todos aqueles anos sem que ele fizesse idéia.Ou talvez ele soubesse, mas não fizesse muito caso.Isso só provava que não valia á pena tanto assim.Mas elas eram cegas...De que importaria o que eu achava?Na verdade naquele momento nada mais importava mesmo para mim...Pois os meus olhos também estavam estavam sendo cegos, atraídos insistentemente por aquele garoto dos olhos enigmáticos.Quem seria ele?Eu sentia-me como se simplesmente precisasse conhecê-lo.Como se a minha vida dependesse disso.Era como se ele fosse um imã completamente compatível com o meu corpo e eu simplesmente não pudesse evitar.Eu precisava conhecê-lo.Eu precisava!
Quanto mais eu tentava saber algo sobre ele mais frustrada eu ficava.Não porque as informações que eu tinha eram frustrantes,mas a falta delas era.Eu sabia que ele estava no último ano e procurava achar o seu lugar em várias universidades,pois o vira observar minusciosamente um folheto informativo onde haviam informações sobre as melhores universidades da Inglaterra.Eu mal o conhecia,aliás eu sequer o conhecia e ainda assim, achava frustrante a idéia de vê-lo mudar-se para um lugar longe de Londres.Eu sabia também que o seu perfume era forte e marcante...Assim como a sua presença.Ao menos para mim.
Eu sabia os horários em que ele entrava e saía das aulas e sabia que o seu armário era exatamento ao lado do meu.Este fato, este incrível fato fazia com que nos cruzássemos nos corredores durantes todos os dias do resto daquelas semanas.Eu gostaria de poder dizer-lhe,caro leitor,que os nossos olhos cruzavam-se sempre que passávemos um pelo outro e que os olhos dele brilhavam ardentemente quando ele me via,exatamente da forma como acontecia comigo.Eu poderia até dizer que a partir do momento em que nos topamos pela primeira vez houve uma explosão de sentimentos,ele encantara-se por mim da mesma forma,querendo viver intensamente cada segundo daquilo.É uma pena que nada daquilo tenha sido assim.Ele andava sempre meio no mundo da lua, perdido em pensamentos de forma que jamais percebia a minha presença.Eu posso garantir-lhes até que se um dia eu tropeçasse nele em algum dos corredores ele provavelmente olharia-me e perguntaria-me se era o meu primeiro dia no colégio.Nossas mentes era um total universo de contradições em que ele era todo o desconhecido e desejado para mim e para ele eu simplesmente nunca existi.
Era uma sexta feira pela manhã quando o meu despertador ficou sem pilha fazendo com que eu me atrasasse mais do que o normal.Lembro-me de ter colocado o uniforme correndo e ter saído de casa sem nem ao menos ter olhado-me no espelho.Porém quando cheguei sem fôlego, cansada e suada á sala de aula,haviam apenas os materias escolares dos alunas jogados ao lado das carteiras e nenhum sinal deles.Eu cocei a cabeça sem entender nada e fui andando pelos corredores com a inteñção de encontrar alguém que pudesse me explicar o que estava acontecendo.Não havia ninguém.Então eu ouvi um barulho no vestiário e fui ver quem era.
_Oi... - Rachel olhou-me sorrindo tímidamente.-Achei que você não vinha hoje.
_Eu me atrasei.Só isso.
_Ah. - ela murmurou,prendendo os ondulados cabelos ruivos no alto da cabeça.Ela vestia uma camiseta regata e um short de lycra bem colado ao corpo,além de tênis.
_Por que você está vestida assim?
_Reformulado a pergunta.Por que VOCÊ não está vestida assim? - ele perguntou, em tom recriminador.
_Por quê eu deveria?
_Todas as sextas feiras as duas primeiras aulas são de educação física.Eles juntam todos os anos em uma quadra para jogarem entre si.Você tem de ser boa em alguma coisa...Algum esporte.Mas antes há uma aula de alongamento.Ah, e nós estamos muito, muito atrasadas!
_Educação física? - perguntei, franzindo a sobrancelha.
_É.Por que ainda está parada?Vista-se,rápido!
_Vestir-me?
_Jenni! - ele exclamou.
_Eu não trouxe roupa nenhuma.Eu não sabia, e...
_Imaginei.Bom, eu sempre trago uma roupa a mais na minha mochila.Eu posso emprestar a você.
_Obrigada Rachel.
_De nada. - ela sorriu.Rachel era muito tímida,o que era o total contrário de sua irmã.Ela tinha uma pele tão clara que não permitia que ela tomasse sol, e fazia com que ela tivesse discretas sardas.Eu as achava um charme,mas ela passava todo o tempo tentando escondê-las.Ela também tinha olhos azuis bem claros,e um cabelo muito longo.Ela transmitia calma e confiança para as pessoas que viviam perto dela,e fora justamente com ela que eu familiarizara mais desde que chegara no novo colégio.
Ela entregou-me as roupas que trazia á mochila e disse-me que eu vestisse rápido ou então ficaríamos muito encrencadas.Enquanto eu vestia-me percebi que ela retocava a maquiagem em frente ao espelho.
_Você é a única pessoa que eu conheço que passa maquiagem para fazer educação física. - eu ri.
_Não tem graça. - ela disse, séria.
_Mas por que isso?
_Brandon. - ela sussurrou.
_Você é bonita Rachel.Não precisa disso pra impressioná-lo.
_Eu não sou.E preciso.E nem adianta,por sinal.Todas as meninas se arrumam todas para ele e ele sequer olha para os lados.
_Talvez ele esteja procurando alguma garota que não queira fazer de tudo para agradá-lo.Se você fosse você mesma...Talvez...
_É claro que não. - ela irritou-se. - Quem é que iria querer conhecer-me?
_Qualquer garoto. - eu disse,acariciando-lhe o cabelo. - Você é linda,inteligente,engraçada...Só falta se dar mais valor.Só isso.
_Jenni.Ele NUNCA olhará para mim.
_Você já experimentou conversar com ele?
_Pra quê pra ser ignorada?
_Você não sabe.Nunca tentou.Larga de ser boba Rachel.
_Não importa.Nunca chamarei a sua atenção.
_Porque não quer. - eu disse.
_Porque ELE não quer.
_E além do mais... - sussurrei,quase para que ela não ouvisse - Você é boa demais para ele.Ele é só um garoto normal que está mais preocupado com o seu reflexo no espelho e com o seu cabelo e músculos do que com as coisas que realmente importam.
_Isso não é verdade. - ela sussurrou.
_É sim.Eu conheço tipos como ele.
_Olha só quem fala. - ela disse,olhando-me - Você está fascinada por aquele outro cara e você não sabe sequer o seu nome.
_Eu não estou fascinada por ele.
_Não?Está na cara.As meninas já perceberam.
_Menos ele... - sussurrei. - Mas não é isso.Eu não estou fascinada por ele, apenas encantada.É diferente.Não é algo que me faça passar maquiagem e me arrumar toda para uma aula de educação física só porque ele estará lá.
_Malvada! - ela disse, dando-me a língua. - Mas bem que você está certa sobre a parte de não se arrumar.Você está horrível.Que aconteceu hoje?Caiu da cama,ou algo assim?
_Acordei atrasada.
_E não poderia nem pentear o cabelo?
_Bem...
_Tudo bem.Não responda. - ela disse,postando-se atrás de mim e passando habilmente o pente sobre os meus cabelos.
_Isso é bom. - eu sussurrei.
_Você passa as aulas inteiras suspirando por ele.Você passa sempre á mesma hora que acaba a aula dele pelos corredores só para encontrá-lo, você sempre finge que está lendo algum anúncio no quadro de anúncios como desculpa para ficar perto dele. - ele disse, sorrindo.
_Você tem observado-me bastante, hein?
_E você sequer sabe o nome dele.Ainda se considera muito mais sã e madura do que as outras garotas que gostam do Brandon?
_Eu nunca disse que vocês eram imaturas.E nem...loucas.Eu disse que a atitude é loucura.Só isso.
_Você não disse essas coisas, mas você pensou.
_Não seja tão ruim.Isso machuca, tá?
_Agora você sabe como eu me sinto.
_Poxa Rachel.Me desculpa.Eu não falarei mais no Brandon se te magoa tanto.
_Eu te peço.Não fale.
_Prometo. - eu disse,olhando para a imagem dela no espelho.Então ela voltou ao silêncio enquanto terminava de pentear os meus cabelos.Eu não podia entender.Se a magoava tanto aquela paixão secreta pelo Brandon, por que não tentar?Afinal ela gostava dele por anos.Como uma pessoa suporta viver daquela forma?Eu suportaria viver daquela forma?Ou melhor,eu teria de viver daquela forma?
_Vamos para a aula?
_Vamos. - eu disse, seguindo-a.
Nós caminhamos até uma espécie de quadra coberta de onde se ouvia uma música e milhares de pessoas conversando.O colégio costumava oferecer tais aulas obrigatóriamente e todo o colegial se encontrava na mesma quadra antes de separarem-se pelos esportes que praticariam.Haviam talvez um pouco menos de 350 alunos juntos naquele lugar,todos observando atentamente ao professor que lhes dava boas vindas e lhes ensinava exercícios de relaxamento.Era surpreendente a forma como aquele lugar enorme poderia estar tão cheio e ao mesmo tempo tão vazio.Brandon estava lá, é claro.Perfeitamente visível sentado ao meio de dezenas de garotas que babavam por ele.Os seus amigos conversavam ao canto.Mas faltava um...Faltava aquele que me interessava.Por quê ele não havia vindo?Aliás, por que é que ele fazia tanta falta se eu mal o conhecia?Eu estava ficando sériamente perturbada.Aquela não era eu.Não era eu mesmo.Mas dizem que o amor é assim mesmo,enlouquece as pessoas aos poucos.
_Amor?O que é que você está pensando,Jenni?Você sequer sabe o nome dele. - eu disse,batendo em minha cabeça pra afugentar aqueles pensamentos que se passavam.
_'Dizem que quando você encontra a pessoa certa, você simplesmente sabe desde o momento em que o olha pela primeira vez.' - aquela frase martelava na minha cabeça a todo o momento desde a primeira vez que eu o vira.O problema é que não fazia sentido algum.E eu sabia que jamais faria.Eu tinha era que tomar cuidado para não ficar obcessiva igual as outras garotas.
_Desculpe o atraso, professor. - gritou uma voz sem fôlego do portão da quadra.Era ele.Meu coração disparou e fiquei tensa enquanto o via caminhar em minha direção e sentar-se ao meu lado.
_Qual o seu nome? - perguntou o professor.
_Connor Garrel.
_Certo.Pois saiba que você que não admitiremos mais atrasos, certo Garrel?
_Certo. - ele disse, sorrindo confiantemente.Como eu adorava aquele sorriso dele.E a forma como os olhos dele quase se fechavam quando ele sorria.E a forma como a voz dele fazia-o parecer mais misterioso do que ele já era pra mim, e ainda assim aquilo aquilo era completamente sedutor.E o jeito como...Eu estava ficando realmente fascinada por ele.Sem cura.
Ele estava ao meu lado.Tão perto quanto nunca esteve.Aquilo provocava sensações estranhas em mim.Um calor forte, uma sensação de tontura.Como se milhões de pensamentos confusos dançassem em minha cabeça, quase levando-me a perder o juízo e dizer a ele o quanto eu queria conhecê-lo.Mas eu não poderia parecer uma desequilibrada e acabar assustando-o.
_Ô Connor! - gritou Brandon do outro lado da quadra. - Que é que você está fazendo aí?Vem pra cá, cara.
_Que saco. - ele murmurou,olhando para Brandon apertado no meio de todas aquelas garotas.Isso fez com que eu risse um pouco, e ele olhou-me de uma forma curiosa que fez com que eu ficasse muito vermelha,e abaixasse a cabeça para que ele não visse o quão embaraçada eu estava.Ele então levantou-se e sentou-se ao lado do amigo.
Depois de falar um pouco sobre como seriam as aulas e dar algumas dicas sobre o alongamento, o diretor disse que nos separássemos por esporte.Eu fizera algumas aulas de Voleyball quando estudava em meu antigo colégio, e até conseguira entrar para o time.No fim das contas era o único esporte que eu realmente conhecia.Eu caminhei até a quadra onde seria a aula e haviam várias garotas conversando entre si em um canto.Rachel estava lá com Leah,e correu até mim assim que me viu.
_Oi. - ela disse, sorrindo enormemente.
_Connor Garrel. - eu sussurrei,com um sorriso enorme.
_Hm?Quem?
_É o nome dele.Connor Garrel.Que nome lindo.Que voz linda.Que...
_Tá bom, chega. - disse Rachel.
_Você estava sentada ao lado dele? - perguntou Leah.
_Na verdade ele sentou-se ao meu lado.
_E o que vocês conversaram?
_Bem...nada.
_Como assim?Você tem uma chance desse tamanho e desperdiça?Eu não posso acreditar Jeni.
_É que...Eu sei lá.Eu tive medo que ele não me achasse tão interessante.Ou que eu ficasse sem saber como agir, sem saber o que dizer e acabasse fazendo papel de boba.
_Bem, ao menos ele saberia que você existe.
_Eu não quero que ele me ache estranha.Se for para ser assim, eu prefiro que ele não me conheça.
_Pára com isso Jenni.Ele adoraria conhecer você.E você ainda tem sorte por não ficarem dezenas de garotas em cima dele, como é com o Connor.Você sempre tem ele sozinho e disponível para conversar.
_Mas eu fico muito envergonhada.Além do mais se ele realmente quisesse conhecer-me ele teria vindo falar comigo.Se ele não veio é por que outra pessoa o interessa.Não eu.
_Isso não faz sentido Jeni.Que desculpa mais esfarrapada.
_Tá certo.Eu converso com ele...Se uma de vocês duas conversar com o Brandon. - eu disse, sorrindo irônica.
_Tá bom.Eu desisto de você. - Leah disse,afastando-se com Grace.
Eu inscrevera-me para aulas de teatro e havia sido aceita em uma peça que seria apresentada ao fim do ano.A parte boa de se fazer teatro naquele colégio eram os trabalhos que se era possível conseguir.Apesar de não ser um colégio muito grande,era conhecido pelos brilhantes jovens atores e pelos dedicados professores de teatro que haviam por lá.Desta forma, sempre que algum produtor de peças precisava de alguns atores para apresentar pequenas e grandes peças nos grandes centros de Londres,aquela escola era um dos primeiros lugares por onde ele pesquisava.Naqueles meses eu ainda não havia sido chamada para apresentar peças muito grandes e famosas e muito menos para fazer fabulosos papéis.Porém os pequenas aparições que eu conseguia rendia-me um bom dinheiro que eu sempre guardava na poupança da universidade.Eu sempre sonhara em entrar para a Universidade de Liverpool,que ficava a aproximadamente quatro horas de Londres.Isso significava que eu precisaria de dinheiro o suficiente para além de pagar as anuidades da instituição,morar em Liverpool.É claro que que eu sabia que meu avô jamais teria dinheiro o sufiente para dar-me tudo isso,por mais que ele tivesse juntado para tal.Mas era o meu maior sonho formar-me na mesma universidade da minha mãe,e eu lutaria por isso.
Para juntar esse dinheiro,além das aulas de teatro,eu conseguira um emprego como atendente de uma loja de um primo distante,para o qual eu ia todos os dias após a aula e saía somente á noite para ir ás aulas de teatro.Com toda essa rotina a qual eu havia estabelecido para mim,eu não encontrava tempo sequer para descansar ou sair um pouco.Mas era melhor,pois assim eu também não tinha muito tempo para pensar.Logo eu não ficava triste.E não ficar triste era bom.Alguns fins de semana eu saía com as minhas amigas, porém a maior parte do tempo eu estudava para as provas escolares.Á noite eu preparava o jantar e assistia um pouco de TV com o meu avô, já que era o único tempo que tínhamos para estar juntos.
A verdade é que tudo que eu vivia naquele momento estava deixando-me meio desanimada.Eu queria mais.Queria poder ter mais amigos, queria ter a minha família de volta, queria sair e divertir-me,queria algo que pudesse fazer com que eu sentisse-me bem.Mas eu não tinha tempo para ter mais amigos, minha família nunca mais voltaria, e por mais que eu saísse eu jamais conseguia divertir-me.Tudo que eu sentia era uma angústia forte e cansaço extremo.Eu odiava permanecer assim,melancólica e sentindo pena de mim mesma.Mas eu não podia evitar.Eu precisava de algo mais.Talvez um novo amor?Mas como,se o único que interessava-me era mais platônico que uma fantasia?
Do amor que um dia deixei pra você...Do amor que eu deixei pra você um dia.Do amor que está sempre aqui,guardado, secreto,como uma flor ainda dentro da semente mais do que pronta para nascer e crescer até ficar bem grande.Mas as paredes da semente ainda são grossas e a flor ainda é fraca.As paredes da sua indiferença mais grossas ainda, e eu sou ainda mais fraca para vencê-la.O amor estava ali nas minhas mãos.Mas eu tinha que guardá-lo até que o meu garoto misterioso abrisse uma brecha, uma brechinha apenas para dizer-me que talvez isso poderia um dia tornar-se real.Mas o que era real?Eu achava que o amor era algo feito apenas para a fantasia, para a música e poemas, para os pensamentos e suspiros em meio á noite.Na realidade fria e nua ele simplesmente não existia.Ele era apenas uma palavra,algo inútil,doloroso,algo que era apenas confundido e utilidado para retratar paixão,atração,loucura ou até o ódio.O amor mesmo, aquele sentimento puro e lindo.Era só arte.Mais nada.E eu ainda não encontrara aquele que me faria mudar de idéia.E eu já estava perdendo as esperanças.
Eu gostava de observar àquele mural do colégio.Ele era grande.Enorme mesmo.E era onde haviam informações sobre trabalhos escolares, sobre universidades de toda a Inglaterra,festas, e um par de coisas que aconteciam por lá.Fora nele, inclusive,que eu descobrira as aulas de teatro e a minha paixão pelo mesmo.Eu gostava principalmente de ver fotos e informações sobre a universidade dos meus sonhos.Era o momento que eu poderia fechar os olhos e imaginar, e almejar, e sonhar.Naquele dia em especial eu procurava algum artigo sobre a minha universidade,quando Leah surpreendeu-me gritando e pulando em minhas costas.Isso fez com que eu assustasse-me e desse um pulo,olhando-a assustada logo depois.
_Te assustei? - ele perguntou,aos risos.
_Claro,né?Você quer que eu morra de infarto antes mesmo de completar dezoito anos?
_Larga der ser exagerada. - ela sorriu,passando o dedo indicador por cima dos anúncios do mural como que procurando algum em especial.
_Procurando algo? - perguntei, aproximando-me.
_Isso! - ele gritou, arrancando um papel azul do mural.
_Ei,você não poder fazer isso!Tá louca?
_É só emprestado...Pra sempre! - ela riu.
_Coloca de volta,Leah.Vão brigar com a gente.
_Relaxa!Tem centenas de cartazes iguais colados por todo o colégio. - ela disse.Foi então que eu entendi do que se tratava.
_Olhe! - ela pediu, aproximando a folha de meus olhos. - Terá um baile de despedida do último ano.E depois terá uma super festa.
_Tá.E daí?
_E daí... - ela disse,enquanto dobrava a folha e guardava no bolso - Que homens lindos do terceiro ano estarão lá.Principalmente...
_Já sei,já sei.Brandon. - eu disse com um tom irônico.
_Não só ele, querida.O seu querido Connor também estará lá.Você não quer vê-lo por uma última vez?
_Eu não me importo que ele esteja lá.Não me importo mesmo.
_É claaaro que não! - ele ironizou, rindo entre as pausas.
_Além do mais o baile é para os estudantes do último ano.Não tem nada a ver nós aparecermos lá.Provavelmente nós não conseguiremos sequer entrar.
_Conseguiremos sim.Pode-se dizer que eu tenho os meus contatos...
_Tem?
_Bem...Na verdade é a Grace que os tem.Mas dá no mesmo.E você vai se divertir Jenni.A festa que está programada pra depois será uma das melhores.Aposto que você nunca foi numa festa dessas.
_Nunca. - murmurei.
_E o ano letivo está acabando.As provas estão acabando.Nós precisamos sair para comemorar.Precisamos nos divertir um pouco,Jenni.Você quase nunca sai comigo e com as meninas para divertir-se.
_Não sei não.Acho que não tem nada a ver nós irmos.O baile nem é nosso.Daqui há dois anos nós teremos o nosso.Aí sim...
_Diz que vai pensar pelo menos, Jennizinha... - ela pediu,juntando as palmas das mãos e colocando-as em frente á boca.
_Não sei.
_Por favor...
_Tá, eu vou pensar.Só pensar.Não garanto nada.
_É por isso que eu amo você. - ela sorriu,saltitando pelos corredores em direção ao vestiário.
Eu já estava muito mais do que conformada com o fato de que Connor iria para a faculdade e nunca mais nos veríamos.Era até reconfortante para mim.Apaixonar-se por alguém é algo absolutamente ilusório,subjetivo e insano.E eu queria andar lado a lado com a razão, queria saber pensar friamente e tomar as decisões necessárias, e não aquelas que meu coração mandava.Era assim que eu era antes.E sinceramente eu deveria odiar Connor por tirar isso de mim.Eu era fria...mas forte.E agora eu estava tão confusa e fraca, como se eu não pudesse sequer lidar comigo mesma.É um sentimento difícil de explicar, mas quando você sente sua cabeça fica girando como se tudo o que você pensa ou acha estivesse embaralhando-se, fazendo com que você mesma não se reconheça.Não direi que é uma coisa boa.É ruim, é horrível.Quando você tem total controle das coisas e derrepente este lhe é tirado...E você simplesmente não sabe mais prever o dia de amanhã, ou mesmo os próximos minutos ou segundos,você começa a ter medo de até onde isso pode te levar.E era exatamente assim que eu sentia-me.
Rachel e Leah convidaram-me para dormir em sua casa aquele dia.Os pais delas deixaram-me em casa antes para que eu pudesse pedir permissão a meu avô, e caso a tivesse, arrumar algumas roupas para levar.Eu já sabia de sua resposta.Ele deixaria.Meu avô sempre fora,ou tentara ser o mais próximo o possível de mim.Ele era a única pessoa que eu tinha de verdade, e ainda assim não tínhamos aquela total relação de confiança um com o outro.Porém mesmo conhecendo-me pouco ele sabia que eu nunca tivera amigos de verdade.Não era culpa das pessoas que eu conhecia, era apenas minha.Desde a horrível morte dos meus pais eu não conseguira mais me aproximar das pessoas a minha volta.Eu preferia manter relações frias e superficiais.O meu medo de amar alguém e depois perder esse alguém fazia com que eu fosse assim.Então meu avô daria tudo para que eu tivesse milhares de amigos com quem eu saísse,partilhasse segredos e e me divertisse.Dessa forma, ele sempre aproveitava as oportunidades de tentar aproximar-me de alguém.
_É claro que ela pode ir dormir na casa de vocês, meninas.E vocês também devem vir um dia para cá.Os amigos de Jennifer são meus amigos também. - ele sorriu de maneira simpática.
_Eu vou arrumar minhas coisas. - eu disse.
_Eu vou ajudar. - Rachel disse,seguindo-me.
Enquanto eu olhava as roupas do armário escolhendo quais eu levaria Rachel deitou-se em minha cama,analisando minusciosamente cada detalhe.
_Quarto legal. - ela sorriu.
_Obrigada.Onde está a Leah?
_Na sala com seu avô.
_Não sei se gosto da idéia.
_Que horror.Ela não vai contar nada que não deve pro seu avô,Jenni.Até porque você não faz nada de errado.- ela disse, zombando.
_Não, não é por causa dela.Eu não quero que meu avô fique forçando as coisas...Forçando as pessoas a gostarem de mim.
_Como assim? - ele perguntou,sentando-se na beirada da cama.
_Nada não.
_Nós gostamos de você,Jenni.Nós te amamos muito.
_Eu sei.Eu também amo muito vocês.
_Então o que é isso?
_Não é nada.Deixe.
_Tá.
_Pode pegar aquela mochila ali pra mim?
_Está aqui. - ela disse entregando-me e observando as roupas de meu armário.
_E então?Você já tem um vestido para o baile?
_Que baile?
_O do último ano ué.Nós todas vamos.Grace não avisou?
_Sim.E a sua irmã também.E agora você. - eu disse, fazendo-a rir.
_Que bom que você já está tão 'avisada'.
_Eu não vou.
_Como assim não vai?
_Eu já não ia desde o começo.Mas então Leah pediu que eu pensasse no assunto.Eu já pensei.Não vou.
_Por quê não?
_Por quê sim? - retruquei. - É melhor assim.Vai ser pior pra mim ver o Connor e pensar que será a última vez.Sabe-se lá para onde ele irá depois.Eu não gosto de despedidas.E, bem...Não é bem uma despedida quando a pessoa não conhece você.
_Você realmente gosta dele né.
_Não!Bem...Eu não quero gostar.
_Não é só ele que estará lá, sabe?Ainda há outros garotos...
_Vocês só pensam nisso?
_Você tem quinze anos!Deveria ser assim também. -ela riu.
_Eu tenho coisas mais importantes a pensar.
_Como a faculdade que você fará daqui a dois anos?Ou o que você preparará de jantar para o seu avô?Ou se você se lembra das suas falas de teatro?
_Sinto muito se a minha vida parece tão chata assim para você.Mas é assim que eu sou.
_Eu queria que você fosse com a gente, sabe?Ao menos nos divertiríamos.Ao menos com você lá eu me divertiria também. - ela disse, sussurrando bastante baixo na última frase.
_Como assim?
_Quando eu costumo ir a bailes com as meninas eu acabo ficando sozinha...
_Por que?
_Elas sempre vão para cantos com garotos e eu fico lá parada igual uma idiota.Se você fosse, ao menos eu teria alguém para divertir-se comigo.
_Então por que você vai?
_Porque assim eu posso vê-lo...o Brandon.Mas ele sempre fica lá,bem longe,conversando com aqueles amigos idiotas e sequer olha pra mim.
_Se dói tanto, você não deveria ficar se martirizando, não acha?Nós duas poderíamos muito bem sair juntos no dia do baile e nos divertir muito.Só nós duas.
_Mas eu quero vê-lo,Jenni.Eu quero vê-lo essa última vez.Por favor, vá comigo.Eu nunca te pedi nada...É a primeira coisa.E a última.Eu juro.
_Não me obrigue,Rachel. - pedi, quase implorando com o olhar.
_Só por um segundo.Um último segundo.Depois nós poderemos ir embora.
_Rachel...
_É sua última chance também.Você sabe.
_Não existe isso de chances.Seria uma coisa muito idiota.
_Por favor Jenni.Não é por ele, é por nós.Suas amigas.
_Tá bem.Mas nós ficaremos cinco minutos,ok?Cinco minutos! - eu disse, dando-me por vencida.Agora vocês entendem o que eu queria dizer sobre não conseguir prever sequer os próximos minutos?
Foi então que eu encontrei aquele tão lindo e delicado vestido lilás.Estava no meio daqueles que Rachel pegara para mim.Não era muito curto e nem muito longo.Não era extravagante e ainda que simples conseguia ser incrível.Suas alças eram finas e delicadas.E o melhor de tudo é que ficara maravilhoso em mim, o que era difícil.Eu segurei os meus cabelos para cima enquanto observava cada ângulo possível com aquele vestido, e sorri para o que via.
_É este! - eu gritei, afastando um pouco a cortina do vestiário.As três garotas vieram como furacões para minha direção, fazendo com que eu afastasse-me um passo.Então ela pararam e observaram-me de cima a baixo.
_Jenni, você tá incrível. - Rachel sorriu com aprovação.
_Obrigada.
_Você tá linda sim.Mas eu ainda acho que você deveria usar um decote maior. - disse Grace, franzindo o nariz.
_Eu prefiro assim.Não gosto de decotes enormes.
_Será que agora nós podemos ir á loja de sapatos? - perguntou Leah,impaciente.
_Certo.Espere só eu trocar-me e pagar pelo vestido. - pedi.
Era um dos vestidos menos caros da loja, mas ainda assim isso significaria muito dinheiro para mim.Fora meu avô que insistira sem cansar-se que eu comprasse o vestido que quisesse, que ele mesmo pagaria.
_Você poderá usá-lo para ir á outras festas.Você poderá usá-lo novamente no seu baile.Uma garota da sua idade precisa ter um vestido assim no armário.E além do mais eu não te dei presente de aniversário esse ano.Fica sendo o presente. - argumentara meu avô.
_Mas você não precisa fazer isso por mim, vô.Não precisa mesmo.Eu posso pegar um emprestado de alguma amiga.Aliás eu nem preciso ir a este baile.Seria até melhor que a falta de dinheiro por vestido serviria como desculpa para não ir.
_Não se devem recusar presentes,querida. -ele sorriu afetosamente. - Gaste o quanto precisar.Eu ficarei feliz em fazer isso por você.
_Certo,vô.Obrigada. - eu agradeci, sentindo-me um pouco mal por isso.
Eram a última semana de aula e,como as provas já haviam acabado, os professores apenas davam aula para cumprir a grade de estudos da instituição.Talvez pelo anúncio de férias antecipadas na aula de teatro e pela falta de ter o que estudar, aquela semana passara mais lenta do que o normal.Até a carga horária que eu cumpria no trabalho e que sempre fora pequena para mim, parecia agora longa e desgastante.Mas desgastante mesmo era a expectativa.Aquela expectativa que eu sabia ser ingênua e infantil, que eu sabia que acabaria magoando-me mas ainda assim não conseguia evitar.Fato: se tem algo pior do que apaixonar-se, é ter expectativas fantasiosas demais.
_E então?Já está tudo pronto? - perguntou Grace ao telefone.
_Grace...São cinco horas da tarde.O baile é ás oito.
_Bem, você deveria começar a arrumar as coisas.Sabe como é.Eu liguei pra perguntar se você tem alguma presilha prateada para emprestar-me.A minha quebrou-se e não encontro nenhuma loja aberta onde eu possa comprar uma nova.Estou desesperada.
_Eu tenho,Grace.Quando os pais de Leah e Rachel passarem para nos buscar, eu te entrego.
_Está louca?Eu estou passando aí agora para buscar.Será melhor ainda pois poderei terminar de arrumar-me aí.Eu posso?
_Mas você já começou a se arrumar?
_Claro que sim.
_Exagerada. - eu ri - Pode sim.Desde que você não fique apressando-me.
_Eu não prometo nada. - ela disse, desligando.
Sábado finalmente chegara e trouxera com ele um dia lindo e ensolarado que Rachel interpretara como um sinal dos céus indicando sorte.Eu interpretei apenas como um sinal do tempo indicando calor.As pessoas deveriam parar com suas manias de procurar 'sorte' em tudo, antes que acabassem por não acreditar em mais nada.Decepções provocam isso.Decepções com a vida.Simples expectativas trazem decepções catastróficas.Então é melhor não tê-las.
Rachel demorou cerca de uma hora para chegar em minha casa.Provavelmente ela teria ficado um pouco mais na sua dando os 'retoques finais' á sua produção.Eu coloquei o meu vestido sobre a cama e os meus sapatos próximos ao mesmo e entrei na banheira a fim de relaxar-me um pouco,quando a campainha tocou.
_Pode deixar que eu atendo! - gritei, saindo correndo do banheiro de toalhas,descalça e com gotas de água pingando por todo o carpete.
_Você ainda está assim? - ela perguntou assim que me viu,olhando-me de cima a baixo.
_Relaxa Rachel.Ainda temos muito tempo.
_É.Você não faz noção do quão grande é a sua sorte.
_Por quê?
_Por que eu posso ajudar você a se arrumar.Eu trouxe um secador,grampos e maquiagem para dar a você uma produção incrível.Então você poderá até impressionar o...
_Não ouse! - eu pedi, antes que ela terminasse a frase. - Eu não quero impressionar ninguém.Eu só vou por causa de você e das meninas.Só por vocês.Entendeu bem?
_Tá bom.Desculpa.Eu não tenho culpa de ser realista. - ela disse, subindo as escadas correndo antes que eu ficasse brava.
Aquelas horas que nos restavam voaram como penas ao vento,mas graças a ajuda dela tudo havia ficado do jeito que eu desejava.Ela ajudou-me com o meu cabelo penteandoo-o, prendendo-o e fazendo-lhe cachos.Ela passou-me maquiagem e colocou-me dentro do vestido sem deixar estragá-la e sem que soltasse um grampo sequer de meus cabelos.Eu jamais conseguiria fazer isso sozinha.Muito provavelmente a maquiagem borraria, o meu cabelo soltaria e eu teria de fazer tudo novamente.Já era quase oito horas quando meu avô entrou devagar no quarto,sorrindo ao ver-me daquela forma, tão arrumada.
_Jenni, você está linda.Nunca a vi assim, estou até surpreso.Aposto que deixará todos os garotos do baile boquiabertos.
_Ela deixará sim, senhor John.
_Claro que não.Há garotas lá muito mais deslumbrantes.E além do mais não é de meu interesse deixar ninguém boquiaberto.Eu só quero divertir-me. - retruquei,fazendo com que Grace franzisse o nariz e meu avô piscasse disfarçadamente para ela.Certo, não tão disfarçadamente assim.
_Tem uma coisa que eu quero dar a você.Você pode vir aqui? - ele pediu, puxando-me pelas mãos.
Meu avô levou-me então até o seu quarto, retirando uma caixinha preta mais ou menos do tamanho de um livro na gaveta, abrindo-a cuidadosamente e pousando-a sobre minhas mãos.
_Vô...São lindas! - eu disse,admirando aquelas joias tão brilhantes.
_Eram da sua mãe.Eu guardei para dar a você quando você já tivesse idade o suficiente para usá-las.Finalmente chegou a hora. - ele sorriu. - O vestido ficará mais bonito ainda quando você acrescentá-las.
_Mas vô!Eram da minha mãe.Eu não posso usá-las assim, para algo tão...desimportante.
_Sua mãe ficaria orgulhosa de ver a moça que você tornou-se.E sei que ela seria a primeira a querer dar-te joias para que você usasse em seu primeiro baile.Aproveite,Jenni.
_Obrigada. - eu sorri, tocando com cuidado o conteúdo da caixa.Meu avô ajudou-me a colocar o colar, e os brincos e pulseiras coloquei por conta própria.Realmente era o toque final,como ele mesmo dissera.
_Pode deixar.Deve ser a Rachel e Leah. - eu respondi, andando até a porta.Rachel estava parada á porta, encostada em sua soleira e Leah estava encostada á porta aberta do carro com uma expressão apressada.Elas estavam lindas.Leah usava um vestido tomara que caia vermelho e brilhoso colado ao corpo e havia prendido o seu cabelo em coque,além da maquiagem tão chamamativa quanto o vestido.Rachel usava um longo e romântico vestido rosa com alças finas, uma maquiagem clara e havia prendido o seu cabelo em uma trança diferente.Ela parecia tão nervosa e sem jeito quanto eu.
_Oi. - Rachel sorriu - Vocês estão prontas?
_É.Vamos logo que eu não quero me atrasar. - disse Leah impaciente checando o relógio a cada segundo.
_Acho que a Grace está quase terminando.Só falta... - eu comecei dizendo,quando fui interrompida por ela.
_Eu já estou pronta também. - ela disse enquanto descia as escadas.Ela usava um deslumbrante vestido azul aberto nas costas o qual eu inclusive já havia visto na loja em que havíamos ido.Eu até o esperimentara.Mas as coisas não ficavam tão bem em mim quanto ficavam nela.Parecia que aquele vestido havia sido feito especialmente para ela.
_E então?Vamos ficar todas paradas aqui mesmo? - provocou Leah,impaciente.
_Tá Leah.Que droga.Já estamos indo. - gritou Rachel.
O baile de formatura do último ano seria no salão do próprio colégio.Não era muito longe, de forma que poderíamos até ir a pé caso quiséssemos.Mas tenho certeza que Grace sequer cogitaria a hipótese.Haviam dezenas e dezenas de garotas descendo de seus carros e caminhando felizes até a entrada.Seria o último dia de suas vidas na escola e agora elas entrariam naquele novo mundo totalmente desconhecido para elas.O mundo onde elas seguiriam os seus sonhos.Ao menos era assim que deveria ser.Os namorados esperavam na porta as suas namoradas, e era linda a forma como os seus olhos brilhavam de admiração e o enorme sorriso que eles esboçavam ao vê-las.Era uma pena que fosse uma questão de tempo apenas até que todos aqueles namoros chegassem ao fim.O encanto acabaria assim que eles fosse para a universidade.A maioria deles iriam para instituições diferentes e veriam-se de meses em meses ou até anos.Era a partir daquele momento que eles estariam destinados a acabar separados.Não era um pensamento negativo.Era a realidade.A fria e dura realidade.Mas aquela noite,aquela única noite para eles podia ser um sonho dos mais inesquecíveis.Quem sabe até para mim.Embora no meu caso fosse um pouco mais irreal que para as outras pessoas.
O salão onde toda a estrutura do baile fora montada era o mesmo onde todas os anos encontravam-se para as reuniões e avisos importantes e em todas as sextas feiras em que tínhamos a aula de alongamento, e em que Connor sentava-se quase sempre ao meu lado inebriando-me como seu cheiro e presença,mas sem sequer perceber a minha.Será que ele ao menos sabia que havia alguém sentada ao seu lado?Acho que não.
_Ficou a melhor decoração de todos os tempos! - comentou com o namorado uma garota do terceiro ano que passava ao meu lado.
_Não é verdade.É porque agora você a vê com outros olhos.Olhos que você não tinha nos anos anteriores. - ele disse.
_Como assim?
_Olhos de paixão. - ele sorriu. - Quando você está apaixonado tudo fica muito melhor.Tudo tem mais gosto e agrada mais aos olhos.
_E quem disse que eu estou apaixonada? - ela riu-se fazendo charme.
_Eu aprendi a decifrar você. - ele sussurrou.E eles beijaram-se apaixonadamente.E eu desejei aprender a ver as coisas assim.Com 'olhos de paixão'.
Não era para menos que a garota havia maravilhado-se com a decoração.Ela estava incrível.Eu não vira as decorações dos anos anteriores,logo não poderia dizer qual dos dois estava certo.Eu só sei que para os meus olhos,de paixão ou não, de frieza ou não,aquele salão estava lindo.Sequer parecia aquela quadra sem graça onde estávamos acostumados a frequentar.Um enorme tapete branco cobria o chão,dezenas de mesas com forros vermelhos espalhavam-se por cima do mesmo,além das mesas maiores elegantemente decoradas com os aperitivos.Haviam colocado grandes vasos de flores e balões pretos e brancos espalhados por todos os lados, combinando harmoniosamente com o resto da decoração.Uma banda do último ano tocava animada prometendo milhares de músicas a noite toda, e todos aqueles que seguiam para a universidade sorriam e conversavam animados com grandes taças de Champagne nas mãos.
Eu pude ouvir algumas das conversas.Alguns contavam que não viam a hora de mudar-se para os estados de seus sonhos,outros contavam que trabalhariam com os pais,descreviam todas as expectativas, os planos de vida traçados minusciosamente mesmo sabendo que, no fim das contas, as coisas difeririam muito do planejado.Algumas garotas contavam para as outras sobre o lugar onde elas haviam planejado ir com os namorados logo após o baile e outras diziam qual dos garotas ela gostaria de ter a coragem de convidar para dançar.Era extremamente óbvio o nome mais repetido: Brandon.Claro que era ele.E alheio a todos os olhares desejosos, as indiretas ditas claramente e a todos os pensamentos daquelas garotas,lá estava ele.Em um canto do salão,com um terno o mais engajado possível e cabelos com gel pentado para trás.Ele estava com os amigos.Como sempre.Como será que ele conseguia ser tão indiferente assim?Chegava a ser maldade.Qual seria o motivo?Será que era ele tão esnobe assim?Haviam garotas vestidas deslumbrantemente naquele lugar,todas por perto esperando um sinal,um único sinal...Que nunca chegava.
_Bom, eu combinei de encontrar-me com um cara lá fora.Depois a gente se vê, meninas. - disse Leah,afastando-se.
_E eu cumprimentarei o Brandon.Agorinha me junto novamente a vocês. - disse Grace,sorrindo em direção ao garoto objeto de seu desejo e andando sensualmente até ele.
_Entendeu o que eu queria dizer? - sussurrou Rachel,tristonha.
_Relaxe amiga.Nós duas vamos divertir-nos muito. - eu sorri para ela, pegando em suas mãos e puxando-a. - Vem.Vamos dar uma olhada pelo salão.
Os aperitivos servidos nas mesas maiores estavam maravilhosos.Depois de comermos um pouco e de muito procurar,finalmente encontramos uma mesa menor vazia para sentar-nos.Já sentadas e longe de todo o tumulto pudemos perceber que haviam várias garotas do primeiro ano,como nós,sentadas á nossa volta e rodopiando com outros garotos pelo salão.Porém nós pouco conversávamos com elas para juntarmo-nos ás que estavam nas mesas,e Rachel preferiu que continuássemos apenas nós duas.
_É incrível estudar durante um ano no mesmo colégio e só conhecer três pessoas. - eu sussurei, surpresa com o fato- Eu queria ser mais sociável.
_Mas você é.Você não é tímida nem nada.Você não se relaciona com os outros porque não quer.Aliás, se não fôssemos Grace,Leah e eu insistindo a sermos suas amigas,provavelmente você estaria em casa desejando estar aqui.
_Desejando estar aqui?Eu duvido muito. - eu ri.
_O que eu quero dizer - continuou ela - É que você tem de dar uma chance pras pessoas aproximarem-se de você,Jenni.Você é tão fechada...Parece que sempre está com cinquenta pés atrás na hora de confiar em alguém.Isso acabará deixando você doente.A gente precisa confiar em alguém.É totalmente normal e saudável.
_Mas eu confio...Em você.
_Não totalmente.
_Eu...Desculpa Rachel.É o meu jeito.Eu não sei por que sou assim,mas não sei mudar.
_O que eu quero dizer - continuou ela - É que você tem de dar uma chance pras pessoas aproximarem-se de você,Jenni.Você é tão fechada...Parece que sempre está com cinquenta pés atrás na hora de confiar em alguém.Isso acabará deixando você doente.A gente precisa confiar em alguém.É totalmente normal e saudável.
_Mas eu confio...Em você.
_Não totalmente.
_Eu...Desculpa Rachel.É o meu jeito.Eu não sei por que sou assim,mas não sei mudar.
_Tudo bem. - ela sorriu de uma forma meiga - Eu amo você mesmo assim.Mas ainda acho que você deveria tentar...Só tentar fazer diferente.Talvez se você fosse um pouquinho mais otimista com as coisas,você atrairia coisas boas.Mas você só pensa negativamente.
_Talvez eu tente. - eu disse em voz baixa.Ficamos alguns minutos em silêncio até que ela falou comigo tão baixo que por pouco não escutei.
_Você já o viu?
_Quem? - perguntei surpresa.
_Connor.
_Hm...não.Eu não o procurei. - menti.Na verdade eu o procurara sim,sem deixar porém nenhuma suspeita.Eu o estava procurando desde o momento em que passamos por aquela porta e não havia nem sinal dele.Será que ele não estava ali?Aliás...Por que é que eu estava tão preocupada com aquilo?Não era eu mesma que havia dito que achava bom não poder mais vê-lo?
_Você viu o Brandon?
_Sim, eu o vi.
_Você acha que eu devo ir falar com ele?
_Eu acho que você deve fazer o que tem vontade.Eu não tenho nada a ver com isso.Não posso escolher o que você fará,Rachel.
_Eu sei.Eu tomarei minha própria decisão.Eu só quero saber o que você acha?
_Que importa o que eu acho?Importa é o que você acha.
_Jenni!Por favor me diga.Você acha que eu devo ir?
_Não.
_Por que?
_Porque ele vai magoar você.
_Como você sabe?
_Eu apenas sei.Está escrito na cara dele.Está escrito nos gestos e atitudes dele.Mas como eu disse, a decisão é sua.Eu apoio qualquer coisa que você decid... - eu comecei a dizer,porém acabei engasgando-me.
_O que foi?Você tá bem?Quer um copo de água?
_O que foi?Você tá bem?Quer um copo de água?
_Eu estou bem. - sussurrei, sentindo-me trêmula e sentindo o meu coração como uma bomba-relógio.Eu o havia visto.Ele havia passado em nossa frente,tão perto que eu quase podia tocá-lo.Ele estava tão bonito,tão diferente.E a forma como eu senti-me eram somente o resultado de todas aquelas expectativas que eu obriguei-me sem sucesso a não tê-las.Porém naquele momento ele estava lá.Embora não significasse nada demais, somente o fato dele ter aparecido já fizera-me agir como uma menininha boba.Ainda bem que seria a última vez que eu o veria.Eu não queria ter de passar por aquilo por todas as vezes que o visse.
_O que deu em você,hein?Está tão estranha. - Rachel perguntou, olhando-me séria.
_Eu estou bem.É sério. - eu sorri,ainda sentindo-me trêmula.
_Jenni! - ela repreendeu-me.
_Não foi nada Rachel.Eu só engasguei.Só isso.
_Você o viu,né? - ela sussurrou.
_Vi quem?
_Eu não sou boba,Jenni.Pára de agir como se eu fosse.
_Certo.Eu o vi.Satisfeita?
_Sim.
_Então assunto encerrado.
_Espera.Você deu sua opnião.Agora eu quero dar a minha.
_Eu não quis dar opinião nenhuma.Você obrigou-me a tal.
_Que seja.Agora eu quero dar a minha.Dá pra me ouvir?
_Certo.O que é?
_Eu acho que você deve ir falar com ele.
_O quê? - eu ri,de uma forma irônica. - Sem chance.
_Por que não?
_Eu não quero acabar igual aquelas garotas ali. - eu disse, apontando para um grupo de garotas que aglomeravam-se envolta de Brandon falandodo quase todas ao mesmo tempo.Já ele fazia uma cara de tédio tal qual estivesse louco para sair dali e juntar-se novamente aos seus amigos.
_Obrigada por impedir-me de falar com ele,Jenni.
_Mas eu não impedi nada.Foi uma decisão sua.
_Certo.Obrigada mesmo assim. - ela disse.
_Por nada.
_Mas sabe?Com o Connor é diferente.É você quem gosta dele.Só você.Aposto que ele adoraria conhecê-la.
_Você não pode ter certeza.
_Nem você.
_Eu não quero,Rachel.Será que dá para conversarmos sobre outra coisa?
_Falar de outra coisa para desviar qual assunto? - perguntou Grace próxima ao meu ouvido,assuntando tanto a mim quanto á Rachel.
_Grace!Quer nos matar de susto?Não pode chegar assim derrepente.
_Sim, eu posso. - ela riu. - Posso saber por que as senhoritas estão aí sentadas numa festa maravilhosa dessas?
_Só está maravilhosa pra você.Nós não conhecemos ninguém. - dise Rachel.
_Você conhecem uma á outra.E conhecem a mim, conhecem a Leah...
_Certo.Não estamos a fim.
_Corta essa,Rachel!Vamos dançar.
_Eu não sei dançar. - eu disse,tentando soltar-me de suas mãos que puxavam-me o braço. - É o meu primeiro baile,lembra?
_Você nasce sabendo dançar - Grace riu - Vamos para a pista e apenas relaxe.E aproveite,pois logo começarão a tocar só aquelas músicas de dançar em casal e até lá vocês terão de ter arrumado alguém.
_Arrumado alguém nada.Que bobagem.
_Tá.Que seja.Não precisam arrumar alguém.Só vamos nos divertir...como as amigas fazem.
_Você não vai desistir até nós irmos dançar com você,né? - perguntei.
_Não, ela não vai. - disse Rachel.
_A Rachel me conhece perfeitamente. - ela riu - Vamos?
A pista de dança era em um canto um pouco afastado de onde estavam as mesinhas e próxima de onde estava o buffet.Haviam luzes coloridas saindo de um globo preto que girava e causava efeitos lindos naquele pedaço de chão preto.As pessoas dançavam animadas.Alguns faziam círculos com os amigos,alguns dançavam com o seu companheiro e outras simplesmente dançavam sozinhas,sem parecerem sequer preocupadas com isso.Nós entramos então no meio deles, e eu fechei os olhos e tentei 'sentir a música', da forma como Grace havia falado. Eram bom que pistas de danças fossem escuras, com excessão daquelas luzes coloridas que pouco iluminavam,pois assim você poderia dançar livremente sem medo de que lhe ficassem olhando.Para dizer a verdade, as pessoas dali estavam tão felizes que não pareciam se preocupar com isso.Muito pelo contrário.
Foi então que entre todos aqueles vultos que dançavam perto de mim eu pude reconhecer um deles logo que uma das luzes refletiu em seu rosto.Aquela pele tão clara, aqueles olhos e cabelos tão negros e aquele seu olhar,aquele seu andar...E lá vinha o nervosismo novamente.Ele não estava dançando, apenas andava em direção ao buffet e passara pela pista para cumprimentar um amigo.
_Vá falar com ele,Jenni.É a sua última chance. - Grace disse, um pouco alto demais devido ao nível que o alcool já atingia-lhe.
_Cala a boca, sua louca! - eu disse rispidamente,tapando-lhe a boca com as duas mãos.Então ela afastou-se de mim, e disse então mais sutilmente.
_Aproveite,Jenni.Ele está aqui,quase ao teu lado.É como se fosse uma evidência do destino.Você não percebe?
_Evidência do destino?Acho que você bebeu um pouco demais. - eu disse, gargalhado irônicamente.Então ela olhou-me com um olhar assustador.Um olhar que ela sempre fazia quando pensava em um de seus diabólicos planos.E naquele momento eu estava envolvida até a cabeça em seus planos.
_É.Talvez eu tenha bebido um pouco demais. - ela sorriu, fingindo tropeçar em mim, e fazendo assim com que eu caísse jogando todo o meu peso para cima de Connor.Isso fez com que ele caísse também.E naquele momento, como se fosse alguma daquelas cenas de filme, a música mudou...E pela primeira vez ele olhou-me.
_Meu Deus!Me desculpa!Eu tropecei, e... - eu disse alarmada logo depois de ter levantando-me subitamente.E ele apenas permaneceu deitado no chão olhando-me penetrantemente.Então ele começou a rir,rir muito da situação.E com um sorriso enorme ele extendeu-me a mão,como se estivesse a pedir que eu o ajudasse a se levantar.Sem graça segurei em suas mãos e puxei-o,até que ele se levantasse.
_Desculpa mesmo. - eu sussurrei.
_Desculpa mesmo. - eu sussurrei.
_Tudo bem.Ao menos eu amorteci a queda. - ele riu.E fez até com que eu sorrisse um pouco.
_Eu sou Connor. - ele disse, extendendo as mãos.
_Eu sei. - eu pensei.
_Jennifer. - eu respondi, tocando as suas mãos e torcendo para que as minhas não estivessem geladas.
_Muito prazer.Você é de alguma turma do terceiro ano?
_Não.Eu sou do primeiro. - eu disse, mordendo o lábio inferior e olhando para os meus pés.Eu simplesmente não sabia onde enfiar-me.Não queria acreditar que ele estava ali,conversando comigo.Não poderia ser.Não poderia ser aquele garoto que ignorara-me o ano todo.Aquelas coisas não aconteciam.Será que eu estava dormindo?Será que ainda era noite de sexta feira?
_Ah...Eu nunca vi você por aqui.
_Eu sei. - respondi, fazendo com que ele franzisse as sobrancelhas.
_Você tá com alguém aqui?
_EstAVA com umas amigas que já estão indo embora! - disse Grace,puxando Rachel para longe de lá.Isso fez com que Connor presenteasse-me com outro daqueles seus sorrisos.
_Você quer...hm...fazer alguma coisa?Dançar e tal?
_Eu não sou muito boa com danças.
_Que nada.É muito fácil.Quem tem de fazer tudo é quem guia.Você só tem que confiar em mim e se deixar levar.Eu faço tudo.
_Não é tão simples.
_O quê?Confiar em mim ou dançar? - ele perguntou, deixando-me embaraçada.Isso fez com que ele risse.
_Dançar.
_Uma coisa envolve a outra.Confie em mim que em segundos você estará dançando.
_Uma coisa envolve a outra.Confie em mim que em segundos você estará dançando. - ele disse, oferecendo-me sua mão.Eu a segurei trêmula, e ele puxou-me até o meio da pista de dança,onde casais dançavam lentamente.
Tocava uma batida leve e romântica.Ele colocou as minhas mãos em seus ombros e as suas em minha cintura,puxando-me para o mais perto possível dele.Ele tocou a sua testa na minha.Estávamos tão próximos que se eu prestasse muita atenção eu podia ouvir a batida do seu coração e seu coração.O seu cheiro já tomava conta de mim lentamente, como uma droga que fazia-me viajar.Então aquilo era o amor?O que era aquilo?Eu abracei-me a ele, acompanhando todos os movimentos que ele fazia lentamente.Muito habilidoso, ele segurava forte a minha cintura guiando-me exatamente para onde ele desejava.Ele fazia isso muito bem.Ele poderia até fazê-lo de outra forma, se ele quisesse.Guiar-me com suas palavras.Se estivéssemos assim tão próximos...Os seus desejos seriam uma ordem.
Eu sentia sensações estranhas a mim, mas que faziam-me querer descobrir as outras centenas que eu ainda não havia sentido.Quanto mais tempo eu passava assim tão perto dele, mais eu queria abraçá-lo forte e não largá-lo mais.Minha respiração estava acelerada, e acelerava-se ainda mais pelo medo de ele perceber tal coisa.Ele não poderia saber saber que aquilo significava assim,tanto para mim.
_Você está indo bem.Viu como é fácil? - ele sorriu, afastando-se um pouco.
_É.Você conduz muito bem.
_É porque você confiou em mim. - ele sorriu.
_É. - sussurrei,sentindo-me um pouco envergonhada pelo seu frequente uso da palavra 'confiar'.Ora, nem parecia que tratava-se de mim.Aquela Jennifer longe e fria que não conseguia jamais confiar nas pessoas.Então de que se tratava?Eu estaria mesmo aprendendo a confiar?Eu duvidava muito,muito mesmo.
_Você é tão bonita. - ele sussurrou,segurando o meu rosto em suas mãos.Era tão gostoso sentir o seu carinho,que fazia com que eu quase derretesse em seus braços. - Como é que eu nunca te encontrei antes, hein?Nunca havia visto você...Não faz sentido.
_É porque você não estava procurando direito. - sussurrei, evitando olhar em seus olhos.
_E você já meu viu?
_Algumas vezes.
_Onde? - ele perguntou, franzindo as sobrancelhas.
_Bem...O seu armário é ao lado do meu.Isso faz com que passemos um ao lado do outro praticamente todos os dias.E você costumava sentar ao meu lado nas aulas de educação física.E ás vezes eu ficava atrás de você da fila da cantina.Como eu disse, algumas vezes. - eu disse, arrependendo-me logo depois.Eu não queria parecer uma garotinha obcessiva pelo garoto por qual era apaixonada.Eu não era isso.Porém o fato de estar conversando com ele provocava em mim o lastimável efeito de falar demais.Mais conhecido como nervosismo.
_Nossa! - ele riu. - Acho que preciso de óculos.
_Talvez. - eu sorri.
Connor e eu não conversamos muito.A química que gritava em nossos corpos fazia com que apenas quiséssemos dançar a noite toda naquela pista de dança, sem que os nossos corpos tivessem novamente que ser afastados.A forma como ele olhava em meu rosto e a forma como ele tocava-me fazia com que eu arrepiasse de várias formas diferentes.Era incrível, era inesquecível tudo aquilo.De forma que eu queria mais do que tudo que não acabasse mais.Porém uma hora as músicas românticas tinham de parar.E não tardou a acontecer.
_Falando nisso...Como você vai pra casa?Quero dizer...Com quem você vai?
_Eu ia com as minhas amigas.Mas acho que a esta hora elas já foram e deixaram-me aqui. - eu disse, correndo os olhos pelo salão tentando encontrá-las.Eu não fazia idéia de que horas eram, mas o vazio do salão e o fato de terem desligado a música já indicava que era mais tarde do que eu pretendia ficar. - Acho que eu vou de táxi.
_Eu levo você.
_Não precisa.É sério. - eu disse, envergonhada.Ele queria andar de carro comigo?Só nós dois?Nós mal nos conhecíamos.Não era certo e nem era sensato.
_Eu insisto.Não vou deixar você pagar táxi se eu tenho carro.Além do mais é uma forma de agradecimento...Por esta noite incrível.Eu nem queria vir a este baile.Vim mesmo porque meus amigos insistiram.Mas agora eu sei que arrependeria-me se não tivesse vindo.Eu não teria conhecido você nunca.
Caminhamos em silêncio até o seu carro.Era um conversível de um prateado bem
brilhante,do tipo que eu sabia que jamais teria.Ele abriu a porta do passageiro para que eu entrasse e pulou por cima da porta do do motorista,encostando-se em seu banco.Isso fez com que eu risse.Ele estava tentando exibir-se...pra mim?
_Carro legal. - eu disse.
_Obrigado.É do meu irmão.Ele me empresta ás vezes quando peço.Mas será meu um dia. - ele sorriu.
_Que bom.
_Você quer ouvir alguma coisa?
_Pode ser. - eu disse.Então ele ligou o rádio.Tocava uma música bastante animada e ele encostou-se ao seu banco cantando-a.Ele tinha uma voz tão linda, que eu poderia dizer que ele cantava melhor do que o próprio artista.
_Cante comigo. - ele pediu,tocando o meu joelho com as mãos.
_Não.Obrigada. - eu disse, olhando para baixo.
_Ah, qual é.Aposto que você canta melhor do que eu.
_Eu não apostaria se fosse você.
_Canta comigo, vai. - ele pediu novamente, sorrindo.
_Você fica linda rindo.Tá vendo?É muito melhor que a sua cara séria.Você deveria sorrir mais. - ele disse, fazendo-me ficar exageradamente vermelha. - Você também fica linda envergonhada.
_Minha rua é aquela. - apontei aliviada.Estava com tão envergonhada de seus comentários e pedidos que tive medo de até onde aquilo iria.Ele parou á frente da minha casa e ficou olhando-me sem nada dizer.Eu não sabia o que aconteceria dali para frente.Mas eu não tomaria iniciativa alguma.Eu também não perguntaria nada.Quão longe seria a faculdade para a qual ele iria?Será que nos encontraríamos novamente?Eu deveria beijá-lo naquele momento?Eu era medrosa demais para procurar saber as respostas.Mas não porque eu estava envergonhada, e sim porque tinha medo de envolver-me demais...E acabar machucada.
_Mais uma vez,obrigado pela noite.
_Obrigada pela carona. - retruquei,abrindo a porta.Porém antes de descer,num súbito impulso aproximei-me dele, beijando-lhe no rosto e abraçando-lhe.Como era bom aquele cheiro!Eu desci então do carro, e caminhei até a porta sem olhar para trás.
_A gente se vê! - ele gritou uma última vez antes que eu fechasse a porta de casa.
Por não ter conseguido dormir nada á noite ( culpa daquela tal de expectativa) eu chegara muito mais cedo do que o normal á aula, e fui a primeira pessoa da sala a chegar.Entrei naquela sala vazia e acomodei-me em um canto da sala enquanto esperava que minhas amigas chegassem.Abri então o meu caderno e me coloquei a fazer escritas e desenhos aleatórios apenas com o intuito de passar o tempo.Porém quando percebi, em meio a todos aqueles esboços,lá estava aquele poema.Eu não lembrava-me de sabê-lo de cor.Eu o havia lido certa vez em uma aula de literatura,mas não fazia idéia que ele havia marcado-me daquela forma.Não fazia mesmo.
_Eu só posso estar ficando doida mesmo.Onde é que já se viu isso? - pensei, amassando o papel e jogando-o longe logo em seguida.
_Bom dia! - sorriu Rachel logo que entrou na sala e viu-me na mesma.
_Bom dia Rachel.Bom dia Leah.
_Eu não ganho bom dia? - perguntou um voz familiar do lado de fora da sala.
_Grace?
_Eu mesma. - ela disse, entrando logo após.
_E então?Felizes por ser o último dia de aula?
_Eu deveria? - perguntou Leah irônicamente. - Fiquei de recuperação em quase tudo.
_Ei.Que tal nós falarmos de coisas mais...hm...interessantes? - insinuou Grace olhando-me.
_Estava demorando! - reclamei.
_Não reclame.Eu te dei uma ajuda digníssima de respeito.
_Você quase me mata de vergonha.Isso sim.
_Mas deu certo,não deu?
_Bem...sim. - eu disse, sentindo as minhas bochechas corarem.
_Desculpa termos ido embora e deixado você lá,amiga.Mas é que a Grace deu a idéia dizendo que assim o Connor levaria você para a casa.E vocês estavam tão compenetrados na dança...que não quis atrapalhar.
_Tudo bem,Rachel.Ele me levou pra casa sim.
_E o que mais?Vocês se beijaram? - perguntou Leah, sentando-se próxima á Grace e sua irmã.
_Não.
_Vão se beijar?
_Creio que não.
_Por que não?
_Porque nós nem sabemos que vamos nos encontrar novamente.Talvez ele tenha até se mudado de cidade por causa da universidade.Não tenho como saber mais sobre nada.
_Por que não perguntou? - brigou Grace.
_Foi a primeira vez que nos falamos.Eu tinha que ter feito um interrogatório?
_Ah, claro que não.Perguntasse casualmente.Parece até que nunca conversou com um menino antes.
_Claro que eu já falei.Claro que eu já fiquei com outras pessoas.Mas é que com o Connor é diferente,né?
_Por que?
_Porque ele não é um menino.Ele é um homem.
_Tá bom. - Grace riu. - E o que rolou entre vocês sábado.
_Bem...nós dançamos a noite toda.Depois ele deixou-me em casa e conversamos um pouco na caminho.Quando chegamos,nos abraçamos e ele disse: 'a gente se vê'.
_Ele não beijou você?
_Não.
_Inacreditável.Você deveria tê-lo agarrado.Deveria mesmo.
_Eu não vou fazer isso.Não sou uma pessoa obcessiva da forma como muitas garotas daqui o são.
_Não pareceria.Pareceria apenas que você tem atitude.
_Ser fácil é ter atitude?
_Jenni!Todo mundo sabe que você é apaixonada por ele.Vai bancar a difícil agora?
_Não tenho que bancar nada.Eu não o verei mais.
_Deveria ao menos ter pegado o telefone.
_Bem, agora é tarde.Então chega desse interrogatório.
_Tá certo, tá certo senhora irritadinha. - ela disse, puxando Leah pelas mãos e sentando-se em carteiras perto da minha.Rachel sentou-se atrás de mim sorrindo e fez então uma pergunta.
_E então?Ele é tudo aquilo que você imaginou?
_Não - eu sorri - É melhor.É uma pena que tenha durado tão pouco tempo.
_Você não sabe.Não pode ter certeza.
_É.Mas eu costumo acertar.
A aula passou o mais lentamente possível.Depois da entrega de boletins, sessões de foto da turma e calorosas despedidas,caminhei com as meninas até o estacionamento com o intuito de também pegar carona com Leah.Nós andávamos por aquele chão de pedra em direção ao carro,quando subtamente Rachel segurou forte em meu braço.
_O que foi?Você tá bem? - perguntei assustada.Ela porém apenas fez sinal com a cabeça para que eu olhasse para o lado.
_O que foi?Você tá bem? - perguntei assustada.Ela porém apenas fez sinal com a cabeça para que eu olhasse para o lado.
_Connor? - eu disse em voz baixa para que nem ele e nem ninguém ouvisse.Era mesmo ele naquele mesmo carro onde eu havia sentado-me naquele quase fantasioso sábado do baile?Ele estava mesmo ali,naquele banco de motorista,carregando três dos seus amigos e olhando para mim?E ele estava sorrindo?Impossível...
_Jenni! - susurrou Rachel tocando-me o braço.
_Hm?
_Acorda.
_Hmm?
_Você tá sonhando acordada.
_Então é uma alucinação que ele esteja aqui?
_Não.Mas você o está encarando assustadoramente.
_Ah! - exclamei, voltando os meus olhos para o chão. - Ele está aqui.Ele está aqui de verdade.
_Sim, ele está.
_Por que?
_Eu não sei, Jenni.
_Eu não sei, Jenni.
_E o que eu faço? - perguntei, encolhendo os ombros.
_Continua olhando para mim.Ele está vindo até você.E fica calma. - ele pediu, inutilmente.Tensionei o meu pescoço ao máximo possível para que ele não se virasse, e tentava acalmar o meu coração antes que ele chegasse e percebesse o seu estado.É claro que eu não perceberia.Era pra mim, só pra mim que aquelas batidas soavam tão alto e disparado.
_Oi. - disse uma voz que vinha pelas minhas costas ao mesmo tempo que uma mão quente e firme tocava-me os ombros.Então eu virei-me devagar tentando manter a expressão mais casual que eu fosse capaz de manter.
_Connnor...Oi.
_E aí?O que faz aqui?
_Último dia de aula, últimas provas,dia de entrega de resultados.Essas coisas. - sorri,colocando as mãos na cintura antes que eu começasse a tremer.Eu tinha que acostumar-me com a sua presença o mais logo o possível para parar de agir como idiota em sua frente.Quanto tempo demoraria para que eu me acostumasse? - E você?
_Eu e meus amigos viemos pegar nosso certificado de conclusão do Colegial.Precisamos dele para o ingresso da faculdade, e tal.
_Legal.Vocês já pegaram?
_Sim.Eu estava esperando para ver se encontrava você por aí.Nós vamos pra Broadstairs (cidadezinha que fica há mais ou menos duas horas de Londres,e se situa em torno de praias, a mais famosa é Viking Bay) passar o dia na praia.Talvez você topasse ir.E...bem...se vocês também quiserem. - ele disse,dirigindo-se ás meninas na última frase.
_Eu não posso.Viajarei hoje com minha família e ainda nem fiz as malas. - disse Grace.
_Que milagre!Logo você que é tão adiantada. - riu Leah - Eu topo ir...Se a Rachel for também.
_Então... - eu disse,olhando quase que suplicando á Rachel que ela fosse conosco.Na verdade eu não estava com a menor vontade de aventurar-me naquele dia,já que o cansaço consumia-me pela falta de sono.Mas...e se fosse a minha última chance?Eu não poderia passar o resto da vida me lamamentando a pensar como poderia ter sido.Mas eu não queria ir sozinha, eu queria que Rachel estivesse ao meu lado.Isso fazia com que eu me sentisse mal.Soava um pouco egoísta obrigá-la a ir sabendo que Brandon também estaria presente e que isso a faria sofrer.E não era uma característica minha fazer isso com as pessoas.
_Eu vou. - ela disse, sorrindo timidamente.
_Não precisa ir se não for se sentir á vontade.É sério. - eu disse-lhe em voz baixa.
_Eu quero ir.É minha última chance também. - ela sussurrou tão baixo que quase não entendi o que dizia.Era como se ela tivesse ouvido os meus últimos pensamentos.
_Legal.Já que todas vão,teremos que passar na casa de Brandon para pegar o seu carro.
_E na minha casa para eu pegar minhas coisas.E...pedir permissão. - eu disse,mordendo os lábios e morrendo de vergonha.
_Nós também precisamos pegar nossas coisas.Nós não pretendíamos fazer algo assim,logo não trouxemos nada. - disse Leah.
_Sem problemas.Nós podemos passar na casa de todas. - ele sorriu.
_Ei cara!Passe para o banco de trás para as meninas entrarem! - ele gritou para Brandon,que obedeceu sorrindo maliciosamente.
Rachel e eu sentamos-nos na frente,de forma que eu fiquei ao meio,ao lado dela e de Connor.Leah sentou-se atrás,totalmente realizada por estar ao lado de Brandon.Os dois outros garotos,Ben e Ethan, afastaram-se gentilmente para que ela entrasse, e nos cumprimentaram, apresentando-se.Ben passava os seus últimos dias em Londres aproveitando-os ao máximo com os amigos,e logo iria para Leeds,onde cursaria Direito na universidade.Apesar de não muito animado para tal ele estava orgulhoso,afinal fora a universidade onde os seus pais se formaram e isso os deixava muito felizes.Era isso, somente isso que importava para ele.Ele gostava de agradar os pais,gostava de Rugby (futebol americano)e gostava de sua namorada, com a qual ele estava desde os quinze anos.Ele pretendia terminar a faculdade, arranjar um emprego e casar-se com ela, para assim poderem morar juntos onde escolhessem.Isso foi o pouco que conheci dele.
Já Ethan tinha um sonho diferente: ele queria ser famoso com a sua banda.Ele permanceceria em Londres e trancaria a faculdade até ter certeza do que realmente queria.Aos seu ver, certeza ele já tinha, o que faltava era a coragem para convencer os pais de tal coisa.Ele havia acabado de completar dezoito anos, e era vocalista de uma banda desde que tinha quinze.'The Dream of Anyone' tinha quatro membros: Charlie como guitarrista,Peter como bateirista,Joe como baixista e ele (Ethan) como o vocalista.Eles eram conhecidos em seus meios comuns,clubes,bares,colégio e praia, mas ansiavam por mais, muito mais.Quanto mais ele crescia, mas desenvolvia-se o seu sonho de carregar o mundo nas costas.Os seus olhos brilhavam quando ele sentia um microfone em suas mãos e seu coração enchia-se de orgulho e admiração por todos aqueles outros membros que estiveram com ele por tanto tempo.
Eu tive medo de que a viagem fosse monótona e Connor e eu acabássemos por desencantar-nos um pelo outro.Isto é, se é que ele sentia o mesmo por mim.Uma pontinha encanto, uma pontinha de...curiosidade,talvez?Porém aquele medo todo fora em vão.A viagem que levaria duas longas horas passou muito rapidamente, e divertimos-nos muito conversando,cantando e cada um falando sobre os seus sonhos, ideologias, desejos.Ethan tinha um jeito extremamente brincalhão, de uma forma que não havia como ficar sem sorrir se ele estivesse por perto.Todas as suas piadas e histórias tornavam o ar leve, o tempo rápido e a tensão quase não existia.Já eram quase três horas da tarde quando chegamos a Viking Bay,e o sol iluminava a praia recheada por casais,grupos de amigos e crianças que curtiam o dia felizes.E naquele momento,para mim as coisas estavam melhores do que nunca.Era tudo o que eu queria, tudo o que eu secretamente desejava naquele dia.De certa forma,com um simples sorriso Connor conseguia jogar um balde de águas quentes em toda aquela frieza com que eu lidava com as coisas.
Os garotos haviam trazido várias toalhas,bola e rede para jogar o tanto adorado voley de praia deles, e algumas caixas de isopor com cervejas e refrigerantes.A água surpreendentemente não estava tão gelada como as costumeiras praias Inglesas.Era um morno agradável que trazia uma sensação de relaxamanto inexplicável.Leah não obtivera muito sucesso em suas incansáveis tentativas de conversar por muito tempo com o Brandon.Muito pelo contrário.Ele tinha um gênio frio e irônico que afastava a qualquer um que quisesse aproximar-se.Talvez se houvesse por ele que eu tivesse encantado-me,nós teríamos nos dado muito bem juntos.OU talvez não.Não é como dizem?'Os opostos se atraem!' Toda aquela enegia e vontade de viver que Connor demonstrava ter, todo aquele charme e calor que emanava de cada palavra e gesto seu faziam com que eu quisesse aproximar-me dele como um imã.Já Leah,pela falta de sucesso com Brandon,acabou horas conversando com Ben,tal qual já fossem amigos de décadas.
Ethan,Connor,Rachel e eu estávamos sentados na areia pouco próximos ao mar, bebendo alguma coisa e conversando muito, enquanto Leah conversava em outro canto com Ben e Brandon havia encontrado um primo na praia e saíram juntos para encontrar uns amigos.
_Você quer entrar no mar um pouco? - perguntou Ethan á Rachel, derrepente. - Estou cansado de ficar só sentado aqui.
_Tá bom. - sorriu ela - Vamos apostar uma corrida.Quem chegar por último paga pro outro um sorvete que aquele homem ali está vendendo. - ela sorriu,apontando para um carrinho de picolés.A descontração com que Ethan encarava os momentos faziam com que ela soltasse-se mais,despertando todo aquele encanto que eu adorava nela.Vê-la alegre deixava-me alegre também.
Eles riam enquanto corriam em direção ás águas, deixando a mim e Connor sozinhos.E então toda aquela minha desinibição foi embora, e eu não sabia sequer se ainda estava num estado apto o suficiente para ter uma conversa decente com ele.
_E você quer?Não se preocupe, não te obrigarei a pagar. - ele sorriu.
_Hm?Do que você está falando? - perguntei, olhando-o com uma expressão tão assustada que fez com que ele risse de uma forma muito gostosa.
_Sorvete. - ele disse, levantando uma das sobrancelhas
_Ah...sorvete.Não, obrigada.
_Bem, nesse caso comprerei apenas o meu.Se quiser desistir ainda dá tempo.
_Não quero.É sério.Obrigada. - eu disse,sorrindo forçadamente.
Eu o observei enquanto caminhava até o carrinho de sorvete, e isso fez com que eu ficasse envergonhada de o estar observando daquela forma.Ele usava uma bermuda, apenas uma bermuda,e eu era uma garota que encantava-se cada vez mais por cada coisa nova que descobria sobre ele.A forma como os seus escuros cabelos molhados sacudiam quando ele andava,as suas costas largas e bem desenhadas,os seus braços tão bonitos e masculinos que pareciam chamar-te para estar em meio a eles,a sua pele tão clara,o seu cheiro,as suas grossas sombrancelhas, seu sorriso,seu jeito de olhar, sua boca...tudo isso deixava-me fora de controle, fora dos sentidos.Faziam-me embrulhar o estômago e ter vontades de fazer e dizer uma porção de coisas que muito provavelmente eu jamais diria e muito menos faria.Era assustador?Era.Mais que era maravilhoso...Ah, se era.
_Voltei. - ele disse.- Tinham acabado os sorvetes.Quer passar numa sorveteria aqui perto?- Eu nada respondi porém, permancendo na mesma posição de anteriormente e com os olhos ainda fechados.Ele então deitou-se ao meu lado, e pelo que pude ver de canto de olho, começou a fitar o céu, em silêncio.O fato de ele estar em silêncio permitia-me pensar.E aquilo acalmava-me.Acalmava-me mesmo.Connor pegou uma das mechas de meu cabelo que caiam como uma cortina em frente ao meu rosto, e começou a fazer movimentos como que para cacheá-la.Depois que já não havia mais mecha alguma para que ele moldasse, ele começou a acariciar o meu rosto.Os seus dedos queimavam ao contato com a minha pele.
Eu então abri os olhos devagar, e o seu rosto estava tão perto que eu pude ver cada detalhe.Eu esbocei um sorriso para ele, que foi retribuido por um enorme, muito mais bonito e confiante.
_Você não estava realmente dormindo...estava? - ele perguntou, divertindo-se.
_Eu... - eu gaguejei.E por fim fiz um não com a cabeça.
_Imaginei que não. - ele riu, voltando a acariciar o meu rosto.Eu sentia todos os pêlos do meu corpo arrepiarem-se,um por um, por aquele contato que muito mais parecia uma troca de eletricidades.E aquilo ia aumentando, aumentando á medida que o seu rosto ia ficando cada vez mais próximo ao meu.Eu fechei os olhos, pronta para sentir a sua boca na minha, porém nada aconteceu.Quando eu os abri devagar ele ainda estava lá, olhando-me, perto demais de mim.Então ele tocou o meu ombro, e pude sentir a suas mãos percorrerem a extensão de meu braço, escorregaram até o meu cotovelo e deste para as minha mãos, meus dedos, até que os dele entrelaçaram-se com os meus.
_Peça.Peça o que você quer. - ele disse derrepente, quase em um sussurro.Suas feições, sua forma de falar demonstravam que ele queria também aquilo.Exatamente aquilo.Talvez não tanto quanto eu, que o admirava há quase um ano, e ele conhecia-me a o quê?Três dias?É possível apaixonar-se por alguém em três dias?Impossível.Matemáticamente,físicamente,biologicamente e químicamente impossível.Então que ironia da vida era aquela?Por que estávamos os dois lá?Por que aquilo estava acontecendo?E por que...eu deveria pedir?
_Por que?
_É preciso que você queira também...como eu. - ele disse, quase eu um sorriso.
_Beije-me. - eu sussurrei, fechando os olhos, e esperando novamente por aquilo que deveria já ter aconteci
Os sons da praia, os ventos,as risadas e vozes das pessoas que lá estavam,o som dos passos na areia, a música,tudo, tudo desapareceu.Era como se só existisse o silêncio e a calma,não só no plano físico, mas dentro de nós,em nossa alma, em nossa mente.Eu sentia-me leve como se estivesse a levitar.Era como se houvéssemos somente nós dois e aquele momento fosse a coisa mais importante de toda a Terra.Os nossos lábios tocavam-se urgentes,desejosos,as nossas línguas entrelaçavam-se com tanta facilidade,tal qual aquilo simplesmente fosse para acontecer.Os nossos corpos abraçavam-se, queriam estar próximos, e a minha pele, ainda que se queimasse ao contato com a dele pedia por muito mais daquilo.Toda aquela junção do seu cheiro, toque,beijo,tinha o efeito de uma droga para mim.A sua respiração quente perto da minha pele sensível causava-me arrepios, e tudo aquilo que acontecia era difícil demais de acreditar.E pensar que meses atrás eu havia ficado radiante de felicidade apenas por descobrir o seu nome.Connor Garrel...Agora Connor Garrel era meu.Naquele dia, naqueles minutos ele era meu, e somente meu.E era eu a estar aconchegada em seus braços, e era a mim que a sua boca e seu beijo pertenciam.E isso tudo porque aquele dia em especial, quando naturalmente os olhos de todas aquelas garota voltavam-se para Brandon, os meus voltaram-se especialmente para ele.E desde que eu o notara,eu já sabia que ele era muito melhor, que ele era muito mais especial, e que o brilho dele era grande demais para ser notado por aquelas meninas imaturas.
Deitei minha cabeça em seu peito, e ambos ficamos a observar as núvens que iam lentamente cobrindo todo o céu.Cobriam inclusive aquele sol que fora forte desde manhã.Era sinal de que iria esfriar.Eu estava entusiasmada,extasiada de tamanha felicidade,mas segurando tudo aquilo forte dentro de mim.Ele não poderia saber do quanto aquilo havia sido especial.Talvez ele não entendesse o suficiente e assustasse-se ao saber o que era para mim.Claro que eu já havia beijado antes, claro que eu já tivera outros garotos.Mas não como ele.Com ele era diferente.Simplesmente diferente...Como se todo aquele jeito dele houvesse sido feito exclusivamente para mim.As sensações eram diferentes, a intensidade era diferente.Connor tocou-me o queixo, levantando-o de forma que pudesse ver o meu rosto.E então ele sorriu deliciosamente para mim.
_Eu quero encontrar você mais vezes.
_Eu também. - eu sorri, deixando-me corar pela rapidez com que a resposta veio. - Mas você não vai pra universidade?Quero dizer..Eu imaginei que este seria o último dia em que nos veríamos.
_Sim, eu vou para a universidade.A 'University of London'.Eu amo Londres,não vou me mudar.De onde tirou isso?
_AH!Não sei, eu achei que...Quer dizer, todos estavam se mudando e tal.
_Bem, eu não.O único lugar de onde eu vou mudar-me é da casa dos meus pais.Quero morar sozinho e perto da faculdade.
_Isso é ótimo!Eu poderia ver você de n... - eu comecei dizendo,entusiasmada.- Hm..quero dizer...Que bom que você não se mudar.
Creio ter surpreendido todos os que me conheciam pela forma tão radiante a qual eu estava aquele dia.Connor agarrou-me no beijo e não soltou mais.A forma como ele acariciava a minha bochecha,como beija-me o pescoço, como entrelaçava as suas mãos com a minhas, eram únicas e irresistíveis.E a forma como ele pude conhecê-lo mais aprofundadamente naquele dia fez com que parecesse que já éramos amantes de anos.Amantes apaixonados,felizes, invejaveis.Ah,que imaginação enorme que eu tinha...Eu queria poder ler a mente dele, e ver a forma como ele se sentia em cada um daqueles momentos.Como uma mulher sente-se ao estar apaixonada, eu já sabia.Mas como será que ele sentia-se?
_Quem é aquele rapaz que trouxe você em casa hoje,Jenni?-Perguntou o meu avô.
_Só um amigo.
_Você parecia muito feliz com ele.
_Dava pra peceber? - eu perguntei,sorrindo um pouco.
_Você gosta dele,não é Jenni?
_Que nada,mal o conheço.
_Você deve lutar pelo que quer.Ouça os conselhos de seu velho avô, é a melhor coisas que pode fazer.
_Sim,eu vou tentar.
Três dias se passaram,e eu me sentia bem como nunca sentira em minha vida.Por estar de férias,eu não trabalharia na loja e não haveriam mais os ensaios do teatro até que começasse o ano letivo.Isso fazia com que eu tivesse mais tempo para o meu avô,para as mimhas amigas, e principalmente para mim.Era numa quinta feira á noite e eu já dormia,quando fui acordada pelo toque estridente
do meu celular.Era um número estranho,e por pouco não atendi achando que era engano ou mesmo trote.Afinal, que tipo de pessoa liga para os outros depois de meia noite?Atendi sonolenta antes do último toque, e demorei alguns minutos para perceber quem poderia ser.
_Connor?
_Sim,sou eu. - ele riu.
_Como tem meu celular?
_Eu pedi para a Rachel.Ela tem saído esses dias com o Ethan e acaba que tenho visto-a mais do que a você.
_Ah,claro.Por isso é que ela anda tão ocupada. - pensei,mediante ao silêncio que ele fazia.
_Você achou ruim eu ter ligado?
_Não,claro que não.É bom que você o tenha feito.É só que...aconteceu alguma coisa?
_Por que?
_São uma hora da manhã.
_Ah...desculpa por isso.É que não consigo dormir não sei por que.Eu preciso falar com você.
_Tem certeza que não aconteceu nada?
_Sim.Está tudo bem.Olha,você pode vir até a calçada em frente á sua casa um pouco?
_Por que eu iria até...Você está aqui?- eu perguntei,correndo até a janela.O carro dele estava lá, e Connor acenou a ver que eu o observava.Eu apenas sorri.
_Fique aí.Não faça barulho.Eu estou descendo.
Depois de colocar uma camiseta e uma calça jeans para não ter de descer de pijama,subi ao parapeito da janela,apoiando-me nos galhos da árvore em frente á minha janela para descer até onde se encontrava o Connor.Já era tarde e meu avô não poderia ver-me saindo.E ele sempre ficava com as chaves da porta quando ia dormir.O meu quarto ficava no segundo andar,e Connor assustou-se ao ver-me aventurando-me daquela forma.Ele correu até próximo á janela e gritou para que eu parasse com aquilo.
_Psiiu!Eu disse para não fazer barulho.
_Saia daí agora, garota maluca!
_Fica quieto. - eu disse,descendo habilmente entre os galhos da árvores exatamente como eu fazia nas árvores de onde eu outrora morara quando era pequena.Pelo visto eu não havia perdido a prática nem um pouco.Connor andou afobado até o final do tronco daquela enorme árvore e pegou-me no colo antes que eu chegasse ao chão.O seu coração estava desparado.
_Maluca!Você que se matar? - ele disse,ainda tendo o meu corpo em seus braços.
_Não se preocupe.Sou campeã mundial em escalar árvores. - eu disse, gargalhando.
_Eu tomo um susto enorme e você ri?
_E que sua preocupação não tem fundamentos. - eu sorri,enquanto ele colocava-me no chão.
_Não fique bravo.Era o único jeito de descer.Meu avô não deixaria eu vir aqui a estar horas...
_Tudo bem. - ele disse.Uma onda de vento frio passou por nós sorrateiramente,fazendo com que eu estremecesse.
_Você quer ir pro carro?Eu deixei meu casaco lá.Então poderemos conversar.
_Tá.
Nós caminhamos até o carro, e ele olhou-me meio receoso.Pegou o casaco e colocou-o por cima dos meus ombros,puxando-me para ficar dentro de seu abraço.
_Connor, você está me preocupando.Aconteceu alguma coisa?
_Não é nada demais,Jenni.É que eu não poderia ir sem ao menos te avisar antes.
_Ir aonde?Como assim?Me avisar...?
_Eu irei viajar.Será por dois meses e meio,voltarei apenas quando começarem as minhas aulas na universidade.Não foi uma escolha minha, foi dos meus pais.Eles querem que eu conheça um pouco de outros países e outras maneiras de viver.Eles viveram essa experiência quando tinham a minha idade, e segundo eles,amadureceram como nunca.Meus pais sempre falaram nisso, de eu fazer essa viagem antes de começar a faculdade,mas eu sempre desconversava.Desta vez eles jogaram-me na parede.Eu não tenho escolha,sabe?Eles querem muito isso pra mim, e eu não quero decepcioná-los.
_Dois meses e meio?
_É. - ele disse, olhando para baixo.
_Logo agora... - sussurrei,muito mais para mim mesma.
_E quando você vai? - perguntei.
_Amanhã pela manhã.As passagens já foram compradas.Primeira parada:Nova York. - ele disse, sorrindo um pouco.
_E você ia embora sem me falar nada?Simplesmente...ia?Tudo bem que você não tinha a obrigação de me contar,mas não te custava nada.Aposto que até a Rachel sabia. - eu disse, com raiva.
_Não sabia.Eu não deixaria que o Ethan contasse.Olha, desculpa.
_Por que não me contou?- eu perguntei, sentindo lágrimas acumularem-se em meu olhos.Não, ele não poderia ver-me chorar.Ele não poderia saber o que eu sentia...nunca!
_Eu...bem...
_Tudo bem,você não tem que se explicar. - eu disse, seca.Eu havia virado o meu rosto para o outro lado, evitando olhá-lo nos olhos e evitando que ele visse-me chorar. - Afinal, nós somos apenas amigos.Quero mais é que você curta muito as suas férias.Boa sorte. - continuei, abrindo a porta do carro.
_Jennifer! - ele disse bravo,segurando-me pelo ombro.Eu limpei as lágrimas em sua blusa de frio que eu vestia e olhei-o.
_É mesmo.Estou com a sua blusa! - eu disse, tirando-a.
_Não, não é isso.Pára com isso!Me deixa falar.
_Eu já disse.Você não tem que se explicar nem nada,Connor.Além do mais essa sua viagem seria uma viagem dos sonhos de qualquer um.Uma viagem que o meu avô nunca,jamais poderia dar-me pois não temos esse dinheiro.Você tem mais é que ficar feliz por isso.
_Dá pra me deixar falar?
_Á vontade.- eu disse, cruzando os braços.
_Eu pensei eu viajar sem te falar nada,pois se eu falasse você poderia sentir-se presa a mim.Como se fosse obrigada a me esperar todo esse tempo,e tal.Eu gostei demais de conhecer você, gostei mais ainda de ficar contigo.Mas eu não acho que tenho direito de prendê-la a mim.Pois afinal é muito tempo,Jenni.Você pode conhecer outras pessoas e tal...Eu quero que você saiba que não precisa me esperar se não quiser.Eu não posso fazer isso,é errado...ei,por que você está rindo?
_Você acha que eu sou assim?Que eu saio atirando para todos os lados, e que seria um tortura ter que te esperar por esse tempo pois eu não poderia ficar com mais ninguém? - eu disse,depois da risada irônica.
_Eu só quero que você saiba que não precisa esperar se não quiser.Afinal você mal me conhece também...Talvez eu decepcione você.Eu não quero fazer isso.
_Certo.Então por que resolveu contar logo agora?Faltando apenas algumas horas para você ir embora?
_Bem... - ele disse, sem graça - Eu não consegui dormir a noite...fiquei nessa agonia de contar ou não, e acho que ia ser ruim fazer isso e deixar você aqui com raiva de mim...Ás vezes até sem entender por qual motivo eu teria feito tal coisa.A verdade é que você é encantadora,Jenni...Não quero de forma alguma deixar você triste.Foi realmente incrível conhecer você, e tudo que se passou entre a gente esses dias.Me desculpe por ter que acabar tudo agora e ir embora.Quem sabe algum dia a gente se encontre novamente, e tal.
_Eu esperaria por você se você quisesse.
_Eu não quero que você espere.Quero que você saiba que é livre.
_Claro.Para você ser também.E conhecer muitas francesas,americanas,brasileiras,asiáticas...Eu entendo isso.Entendo mesmo,Connor.Obrigada por ter avisado-me.
Não é por isso,Jenni. - ele riu. - Eu só estou dizendo que se conhecer outras pessoas e quiser se envolver, não tem de se sentir mal por isso.Não estaria traindo-me nem nada.Você entende?
_Entendo...eu acho.Está tudo bem. - eu disse,limpando uma lágrima que teimava em escapar por mais que eu fizesse força para que não acontecesse.
_Por que você está chorando?
_Eu não estou.
_Não? - ele perguntou, limpando outra lágrima que caía do outro olho.
_Tchau Connor. - eu disse, descendo do carro e caminhando até minha casa.Eu não queria que ele me visse daquela forma.Não queria que ele me visse chorando,triste, arrasada.
_Eu sou forte, eu sou forte! - eu pensava.
_Tchau Connor. - eu disse, descendo do carro e caminhando até minha casa.Eu não queria que ele me visse daquela forma.Não queria que ele me visse chorando,triste, arrasada.
_Eu sou forte, eu sou forte! - eu pensava,enquanto apoiava-me ao tronco da árvore, tentando subir novamente. - Droga!Descer é fácil.Quero ver como é que eu vou subir de volta.
_Quer ajuda? - ele perguntou, logo atrás de mim.
_Achei que você já tinha ido...
_É que você não respondeu a minha pergunta.
_É que você não respondeu a minha pergunta.
_Pergunta?
_Do por que de você estar chorando.Eu fui grosso ou alguma coisa assim...Pra não merecer nem um abraço de 'adeus'?
_Não, você não foi grosso.É só que... - eu respirei fundo. - Você tem noção de há quanto tempo eu gosto de você? - eu disse, um pouco alto demais.
_Talvez eu tenha. - ele disse, um pouco nervoso.
_Talvez eu tenha. - ele disse, um pouco nervoso.
_Eu sentirei a sua falta. - eu disse, abraçando-o.Ele então envolveu-me com os seus braços,beijando-me o alto sa cabeça,enquanto eu suspirava encostada em seu peitoral.
_Você quer sair daqui? - ele perguntou,no que eu respondi afirmativamente com a cabeça.
Ele abraçou-me pela cintura, e andamos em silêncio até o carro.O ar parecia mais pesado do que o normal,eu não sabia o que dizer, como agir, como sentir-me.E eu estava profundamente arrependida de ter me aberto daquela forma ainda que por poucos segundos.Mais ainda, eu me perguntava porque é que ele ainda estava falando comigo.
_Onde nós estamos? - perguntei, ao vê-lo estacionar em frente a um prédio que eu nunca havia visto.
_O meu lugar preferido do mundo. - ele sorriu. - O lugar onde eu vou morar depois que voltar da viagem.Não tem muita coisa lá dentro,ainda faltam comprar alguns móveis,mas...Tem uma televisão e um sofá.A gente podia ver algum filme, e tal.Passar um tempo juntos.Eu tenho que ir ás oito da manhã,mas prometo deixar você em casa antes mesmo de amanhcer.
_Tem um sofá e uma TV? - eu ri. - Tudo bem, você já tem os móveis essenciais.
_Você poderia vir aqui de novo, quando tudo estivesse pronto.
_Quem sabe. - eu disse,olhando para o chão.
_Você quer subir?
_Pode ser.
O apartamento que ele comprara ficava no décimo primeiro andar.Realmente, haviam muito poucos móveis e a casa ainda estava uma bagunça.E para completar ele ainda se esquecera de um detalhe primordial: a televisão ainda não havia sido instalada.Mas nada daquilo importava.O fato concreto para mim era que eu estava ali,com ele.Eu estava com Connor Garrel, o garoto que eu admirava pelos corredores do colégio e que nunca,jamais imaginei estar assim tão perto.De que importava o apartamento ou uma televisão que não ligava?Eu estaria feliz em apenas estar perto dele, em abraçá-lo, beijá-lo, ouvir a sua voz e conhecê-lo mais ainda.Isso tudo porque ele me fazia uma pessoa diferente.Longe dele eu era fria e e pessimista.Quando eu estava com ele eu queria viver,queria sorrir,dançar,mais do que tudo ser feliz.Eu gostava da Jenni que eu me tornava quando ele estava por perto.Era por isso que eu dizia que ele sempre fora a minha droga.
_Desculpa Jenni.Eu me esqueci! - ele disse, sem graça.
_Desculpa Jenni.Eu me esqueci! - ele disse, sem graça.
_Tudo bem, eu não me importo.Só de ficarmos juntos um pouco antes de você ir já me deixa feliz.De verdade.
_Há quanto tempo? - ele perguntou, derrepente.
_Quanto tempo o quê?
_Há quanto tempo você gosta de mim?
_Connor, eu...Só esqueça que eu falei isso, pode ser?Falei sem pensar,não tem nada a ver. - eu disse, sentindo-me corar,minhas bochechas queimarem,uma vontade imensa de ir embora.
_Você tem uma mania de não responder ás minhas perguntas...
_E você tem uma menina de fazer perguntas inconvenientes. - retruquei, fazendo-o sorrir.
_Tudo bem, não precisa dizer.
_Algum tempo.
_Eu imaginei que você gostasse de mim desde a primeira vez que conversamos naquele baile.Foi por isso, inclusive que quis conhecê-la melhor.Eu não imaginei,porém,que fosse tanto.
_Eu não disse que era tanto. - eu sussurrei.
_Não? - ele riu.E eu o beijei de leve, ficando na ponta dos pés para tal.



Quem escreveu foi a Mél *--*
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